28 de abril: cobertura midiática da greve geral em pauta

Enquadramentos noticiosos sobre as mobilizações sociais

“Greve de 28/04 deve afetar escolas e transporte”. “Greve geral: Acompanhe a situação das paralisações desta sexta-feira, 28 de abril”. “Professores da rede particular aderem à greve de 28 de abril contra reformas”. Com essas três manchetes, três grandes veículos de comunicação do país (respectivamente, Veja, Istoé e jornal Folha de São Paulo) deram o tom acerca das manifestações que tomaram conta do país no dia 28 de abril.

 

Nas notícias, o que se sobressaem são informações acerca das categorias profissionais envolvidas na mobilização nas ruas, além de descrições sobre os efeitos das paralisações no cotidiano da população, caso da notícia da Istoé que informa sobre São Paulo “A cidade amanheceu sem transporte de metrô, trens e ônibus urbanos. Barricadas, pneus incendiados e pequenas manifestações atingiram vários pontos da cidade. Desde as primeiras horas da manhã, há lentidão e congestionamentos acima da média na capital paulista”.

 

Os pontos salientados (enquadrados) nas notícias, portanto, se voltam bem mais para as consequências que para as causas que motivaram, entre a população, as mobilizações no dia 28 em diversas cidades do Brasil, como Fortaleza. Aqui, vale destacar o conceito de enquadramento, os quais são princípios organizadores da realidade (REESE, 2001).

 

Não há como negar que, por serem grupos empresariais com interesses, as grandes empresas de comunicação incluem em seu fazer jornalístico determinados enquadramentos em detrimento de outros olhares que também seriam importantes.

 

Também é essencial destacar que a objetividade que guia a atividade jornalística é um princípio que deve ser buscado pelos profissionais no cotidiano, mas que não é alcançado plenamente visto que há restrições quanto ao tempo de apuração das informações e que o texto, em seus diversos formatos, impõe até mesmo limitações de tamanho. Contudo, como reportar uma mobilização em massa, como a que aconteceu no último dia 28, sem se voltar a dados do contexto político e econômico do país? Como não trazer informações sobre as reformas da previdência e trabalhista ou rememorar outras grandes mobilizações sociais que já aconteceram na nossa história?

 

A Unesco, em seu documento que traz princípios norteadores da ética profissional jornalística, defende que haja na atividade jornalística o respeito à comunidade nacional, suas instituições democráticas e sua moral pública, compondo um quadro preciso e compreensivo do mundo no qual a origem, a natureza e a essência dos acontecimentos, processos e estados dos casos são tão objetivamente quanto possível compreendidos. Dessa forma, o jornalismo tem de assumir o compromisso com o sistema democrático, tendo em vista que este, para se consolidar, necessita de uma imprensa livre.

 

Referências bibliográficas

REESE, S. Framing public life: a bridging model for media research. In: REESE, S.; GANDY JR., O. et al. (eds.). Framing public life: perspectives on media and our understanding of the social world. Mahwah, London: Lawrence Erlbaum Associates Publishers, 2001.

 

Fonte da fotografia: Schincariol, Miguel. Ato na Paulista contra a proposta de reforma na Previdência. São Paulo, 2017. fotografia. Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/15/politica/1489578215_492721.html>. Acesso em: 12 de maio de 2017.

Original de Caroline Brito


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