Uma festa olímpica com uma mensagem desafiadora para o mundo

O retrato de um projeto político violentado

A abertura dos jogos olímpicos foi o resultado de um projeto iniciado a sete anos atrás. O que os brasileiros assistiram, deixando o mundo admirado, foi a criação coletiva proporcionada por uma iniciativa ousada de um governo que se recusou a pensar pequeno e reproduzir o ”complexo de vira-lata”. A festa olímpica do “Sul” falou de forma altiva para o “Norte”, no entanto, no âmbito da política interna do País, foi uma oratória com o gosto amargo de quem vive um novo momento e necessita reaprender o que está se propondo a ensinar.

As cores e os sons dos maracatus, dos sambistas e brincantes de um Brasil multicultural, democrático e preocupado com o futuro do mundo está tendo que conviver com o que parecia ter sido sepultado pela História. O obscurantismo e o ódio têm “roubado a   sena” e se tornado protagonistas do cotidiano brasileiro.

 O simbolismo de uma tocha que escolheu a Candelária para flamejar, foi maculado pela violência desde a sua passagem pelas periferias brasileiras. O espírito olímpico que se propunha dizer ao mundo que massacres de criança como o da Candelária não seria mais concebível, tem que conviver com os dados do “mapa da violência”. Segundo Julio Jacobo, existe uma parcela significativa da população cuja morte não causa grandes choques para a sociedade brasileira. Notadamente, aquelas mais pobres, de cor negra e em situações de vulnerabilidade. Associada a uma realidade que já era trágica, foi somada algumas praticas assemelhadas a um processo de higienização da cidade sede das Olimpíadas. O próprio caminhar da tocha foi marcado por violências, tiros e bombas.

 A síntese da contradição entre a beleza e mensagem da festa com o momento atual vivido pela sociedade brasileira encontra-se no tamanho da vaia sofrida pelo seu Presidente interino. A falta de legitimidade política, o processo de escolha e   a pratica recente do seu governo, negam a coerência entre os valores apresentados para o mundo e o mundo real vivido pelos brasileiros no momento.

 A violência policial nas ruas contra todos que se manifestam contra o atual governo, confirmam uma situação de autoritarismo que não deseja ser conhecido pelo mundo. O Brasil da festa não é o da vida real.

 

 

 

 

Original de Horácio Frota


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