Preparando as eleições municipais de 2016.

As eleições municipais de 2016 terão algumas novidades e boas perspectivas de que superaremos dificuldades enfrentadas.

 As eleições municipais de 2016 terão algumas novidades e boas perspectivas de que superaremos dificuldades enfrentadas.  Os principais partidos, como PMDB, PSDB, PT e DEM devem ser afetados, de alguma forma, pela crise da na economia e política. Espera-se, contudo, que mudanças mais estruturais introduzidas fortaleçam a governabilidade de futuros governos. Não haver (ou não deve) contribuições eleitorais realizadas por empresas privadas, embora um tempo de televisão menor é discutível pois pode conspirar positivamente para que o eleitor fique mais atento para os partidos políticos e seus potenciais candidatos, mas dimenui a possibilidade do segundo lugar no primeiro turno a recuperar espaços. Os partidos devem fidelizar o eleitor não apenas pelo discurso, mas pela prática.

As operações “Mensalão” e “Lava Jato” também se inserem nesse contexto ao revelarem as falhas tradicionais e as deturpações do presidencialismo de coalizão. Mas a eleição municipal é um momento precioso para o início desse processo, pois o tradicional reage lentamente às inovações ao tentar sobreviver. Os partidos políticos são instrumentos privilegiados da representação. Excetuando os das minorias culturais, os principais partidos brasileiros representam a sociedade civil, mais ideológico, ou representam os Estados da Federação. Estes encontram mais dificuldades de se articularem nacionalmente de forma mais coesa e guardam especificidades locais. Dessa particularidade, o PMDB hoje é o maior partido federativo, estadual, em evidência. Como ele cresceu nos Estados menos desenvolvidos, foi a liderança do PMDB do Sudeste que fez o segundo governo Dilma perder a maioria necessária à governabilidade e imposto um “reacall” à Dilma, provocando esse desafio institucional.

A força política do PMDB, com Eduardo Cunha (PMDB – RJ) na liderança do Congresso foi organizar uma base parlamentar com potencial explosivo na governabilidade e ofereceu a políticos tradicionais e aos competitivos partidos de oposição, como PSDB e DEM, junto com apoio de setores produtivos da sociedade civil insatisfeitos com o rumo da economia, a oportunidade de liderar uma alternância no poder. Cunha mostrou-se obstinado e capaz de realizar mudanças pelo conhecimento regimentos, a base do controlo institucional.

No início de sua gestão, Cunha liderou uma reforma política conservadora que iria à contramão do caminho que a democracia trilhava. Se voto distrital puro fosse aprovado, seria um desastre para a democracia, já o financiamento de campanha, proibindo o setor privado de participar, é teoricamente providencial para dar o elo importante para a representação política, necessária à governabilidade.

Se o PMDB quebrou sua tradição de ser instrumento da governabilidade dos partidos que lideraram o projeto de Brasil na sua entrada na modernidade, o PT e o PSDB, os beneficiários de sua atuação, também serão afetados por esta crise e terão que se esforçar para sobreviver, no novo cenário, revitalizando seus objetivos. Esses partidos lideraram o processo de consolidação democrática ao chegarem ao poder e desenvolveram fidelidades que não será afetado de todo com essas operações contra a corrupção.

As executivas dos dois principais partidos vencedores em 2014, o PMDB e do PT, orientam os Estados a lançarem candidaturas próprias nas capitais. É quase impossível que o Ceará cumpra esta orientação. O PMDB cearense, com a firme liderança de Euníncio Oliveira, se alia ao PSDB e os dois grandes partidos nacionais apoiarão um candidato de partido pequeno, a candidatura de Capitão Vagner, jovem liderança beneficiária da violência urbana, ocupando espaços que, no passado, era de Moroni Torgan. É também um espaço que Luzianne Lins, do PT, disputa, embora seu eleitorado seja mais amplo.

O caso do PT se assemelha e é mais complicado. Possui uma liderança carismática, no caso Luzianne Lins, que lidera os diretórios da capital, mas faz uma oposição ferrenha ao grupo político mais estruturado no Ceará, os Ferreira Gomes. Existem muitas dificuldade de que caminhem juntos logo no primeiro turno, pois o grupo de Luzianne domina em Fortaleza. 

Várias dúvidas merecem reflexão e descararemos o caso do PMDB: terá condições de se estruturar como partido forte? O PT e o PSDB recuperarão espaços de potencializar e liderar a campanha eleitoral de 2018? O PSD e o DEM, partidos que colaborarm com a governabilidade de Lula e FHC, perderão espaços? A pesquisa Data Folha tem apresentado que Lula, em 2018, iria para o segundo turno com qualquer dos candidatos tradicionais. Isso é uma mostra de que os partidos que se estruturam desde a década de 1980 ainda terão um papel decisivo no resultado, ao contrário do que aconteceu na Itália, que regrediu e abriu espaço para o populismo.

O aprofundamento destas questões e a leitura da especificidade cearense merecem mais reflexão que não cabem nessa primeira aproximação. Esse primeiro contato serve, contudo, para destacar que há novidades nas eleições municipais e algumas serão de forma positiva, na nossa perspectiva. Assim, discutiremos em outro artigo, com mais informação, como esse processo eleitoral se desenrola no Ceará observando suas especificidades.

 

Original de Josênio Parente


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